Policiais civis seguiram os passos de titular da articulação política da prefeitura do Recife; agentes do estado sustentam legalidade da ação

O prefeito de Recife (PE), João Campos (PSB), criticou o que chamou de “uso político” da Polícia Civil de Pernambuco depois da revelação de que o secretário de Articulação Política e Social do município, Gustavo Monteiro, teve a rotina monitorada por agentes. O caso virou uma nova frente de embate entre Campos e a governadora do estado, Raquel Lyra (PSD), que devem se enfrentar nas próximas eleições. Em vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito destacou que a ação não ficará impune.
— O que está em jogo não é a polícia investigar, mas é fazer isso da forma certa. Eu não tolero corrupção, mas eu também não tolero perseguição — disse. — Queria dizer a vocês que tudo isso não vai ficar impune. Porque não vale tudo para disputar uma eleição.
A Secretaria de Defesa Social do estado, sob gestão de Raquel Lyra, alega que o procedimento, iniciado após o recebimento de uma denúncia anônima, foi legal e que foi arquivado sem ter apontado irregularidades. Campos disse que as diligências sem ordem judicial configuram perseguição com motivação política.
— Foi revelado que inquéritos foram desarquivados por interesse eleitoral, perseguição sem ordem judicial, sem inquérito, sem B.O., sem nenhuma formalidade. Rastreador sendo colocado em carro oficial da prefeitura sem ordem judicial. Isso é criminoso. Isso é um absurdo. Se não fosse a imprensa livre denunciando isso, aonde é que isso iria parar? Quem é que está dando essas ordens? É interesse de quem? Será que iam construir provas falsas? Uma realidade que não existe para incriminar pessoas inocentes? — questionou o prefeito.
Campos citou, ainda, que é alvo de redes de “ódio” e mentiras desde 2024, quando disputou a reeleição. O político afirmou que, na ocasião, a polícia arquivou uma investigação sobre supostas irregularidades em creches, mas depois, em período eleitoral, retomou o caso.
— Depois da eleição, arquiva de novo. Aí vem uma ação absurda como essa, três delegados, sete agentes num grupo informal de WhatsApp. Quem é que deu a ordem para formar esse grupo? Para tomar essas medidas ilegais e criminosas? Isso não está certo, é ilegal, é imoral — reclamou.
Monteiro foi monitorado por policiais entre agosto e outubro de 2025. Ele era seguido de carro pelos agentes, que compartilhavam informações sobre a rotina do secretário em um grupo de mensagens, no qual também participavam delegados. No grupo, uma foto do secretário foi compartilhada, acompanhada de uma segunda mensagem que o descrevia como “alvo da missão”. O caso foi revelado pela TV Record no domingo.
Rastreador em veículo
Os agentes seguiram um carro que era usado tanto por Monteiro quanto pelo irmão, Eduardo, que acabou também sendo monitorado. Em setembro, um equipamento rastreador foi instalado no veículo, que se encontrava estacionado próximo a um mercado do Recife, onde Eduardo, que trabalha como assessor na prefeitura da cidade, fazia compras.
“Bom dia. Rotina do veículo se repetiu pela manhã. Veículo chega à prefeitura às 8 horas. Entra na garagem do subsolo e sai muito, rapidamente, apenas com o motorista”, diz uma das mensagens obtidas pela emissora de televisão.