
O pagamento de cachês milionários a artistas com recursos públicos entrou na mira da Assembleia Legislativa de Pernambuco. Em entrevista ao Blog Ponto de Vista, na manhã desta quinta-feira (5), o deputado estadual Pastor Cleiton Collins (PP) defendeu um projeto de lei que promete mexer com o bolso de grandes nomes da música nacional e provocar reação entre prefeitos e produtores de eventos.
A proposta estabelece um teto máximo de cerca de 300 salários mínimos por apresentação, com duração de até uma hora, para shows financiados por prefeituras e pelo Governo do Estado. Segundo o parlamentar, a ideia é colocar um “freio” no que ele classifica como gastos abusivos com festas enquanto cidades enfrentam sérias dificuldades financeiras.
Collins afirmou que já levou o tema à AMUPE e convocou prefeitos de todo o estado para uma audiência pública na Alepe, numa tentativa de ampliar o debate e pressionar pela aprovação do projeto. Para ele, o cenário atual é alarmante. “Não faz sentido municípios sem dinheiro para remédio, escola e salário de professor bancarem shows de valores astronômicos”, disparou.
Como exemplo, o deputado citou o cantor Gusttavo Lima, cujo cachê, segundo reportagens recentes, pode chegar a R$ 1,5 milhão por apresentação. “É um valor que simplesmente não se justifica quando sai do bolso do contribuinte”, criticou.
O parlamentar também fez uma comparação que chama atenção: o teto proposto equivale a cerca de 27 anos de trabalho de um brasileiro que recebe o salário mínimo. “Um trabalhador passa quase três décadas para ganhar o que um artista recebe em uma hora. Isso escancara a desigualdade e a distorção no uso do dinheiro público”, afirmou.
Cleiton Collins alertou ainda que prefeitos de outros estados, como a Bahia, já discutem medidas semelhantes. Sem controle, segundo ele, muitas cidades podem acabar sem condições de realizar festas tradicionais, como o São João, devido à escalada dos cachês.
Ao final, o deputado reforçou que não é contra a cultura, mas defende prioridades. “Cultura é importante, mas saúde, educação e dignidade vêm primeiro. Esse projeto é o mínimo para proteger estados e municípios do desperdício de dinheiro público”, concluiu.